Real Iberia · Recorde de seca · ASHWANA World — um círculo de pedras mais antigo do que as pirâmides, visível apenas quando a água o revela.
Na província de Cáceres, em Espanha, não muito longe da fronteira com Portugal, existe um círculo de pedras erguidas no fundo de um reservatório. Chama-se Dolmen de Guadalperal, embora a maioria das pessoas que já ouviu falar dele o conheça por um nome mais simples — o Stonehenge espanhol. Foi construído há algo entre cinco e sete mil anos. Ninguém sabe ao certo para que servia. Um túmulo, possivelmente. Um local de encontro. Um local destinado a algo que não deixou mais nenhum registo de si próprio.
Em 1963, foi construída uma barragem e o vale ficou submerso. As pedras ficaram submersas. Foram vistas novamente em 1926, por um breve momento, antes da inundação — e depois não voltaram a ser vistas com clareza até 2019, quando uma grave seca fez com que o nível do reservatório baixasse o suficiente para as expor. Ficaram submersas novamente. Mais tarde, voltaram a aparecer à superfície e desapareceram novamente. Segundo a maioria das estimativas, o círculo completo só foi visível umas poucas vezes nos últimos cem anos.
As mesmas secas que deixaram o dolmen à vista também revelaram uma aldeia chamada Aceredo, inundada em 1992 na fronteira entre Espanha e Portugal. Ruas, ombreiras de portas, uma fonte — tudo lá, tudo intacto, enquanto o nível da água se manteve baixo. Depois, a chuva voltou e tudo ficou novamente submerso.
Não se fez nada que tivesse causado isto. Ninguém abriu uma comporta nem retirou um tampão. O nível da água simplesmente baixou o suficiente, durante algum tempo, e depois deixou de baixar.
ASHWANA trata as Ashlines da mesma forma que o reservatório trata o dolmen — não como algo enterrado e desaparecido, mas como algo presente e coberto, que surge em condições que ninguém controla. A diferença entre «destruído» e «atualmente submerso» é importante. Uma é definitiva. A outra é um calendário que ninguém conhece.
Os registos do Fort Kael referem vários marcos de fronteira como «submersos, estado por confirmar» — uma formulação que não aparece em mais nenhum outro ponto do arquivo. Os marcos não são descritos como perdidos ou destruídos. A formulação sugere que ainda se encontram no local, mas que simplesmente não estão acessíveis neste momento, sem que seja indicada qualquer data em que essa situação possa vir a mudar.
Uma nota de levantamento, sem qualquer referência específica, diz apenas: «visível novamente nesta época. Registado. Ver nota anterior.» Não foi encontrada nenhuma nota anterior que corresponda a essa descrição.