O Verdadeiro Norte de Portugal · Registo de Gravações · ASHWANA World — marcas gravadas na rocha a céu aberto há mais de vinte mil anos, por motivos que ninguém vivo consegue confirmar.
No vale do rio Côa, no norte de Portugal, as paredes rochosas ao longo das margens apresentam imagens esculpidas na pedra — cavalos, auroques, veados e, ocasionalmente, figuras humanas ou geométricas. Algumas destas gravuras foram datadas entre vinte e dois mil e dez mil anos antes do presente. Foram registadas mais de mil rochas gravadas ao longo de dezassete quilómetros do vale.
Na década de 1980, já se estava a construir aqui uma barragem. As gravuras foram descobertas durante os levantamentos realizados para o projeto — primeiro algumas, depois mais, até que se chegaram a um número suficiente para que fossem chamados arqueólogos de fora de Portugal para avaliar o que estava prestes a ser inundado. A disputa que se seguiu durou anos. Os alunos da cidade vizinha empunhavam cartazes com uma frase simples: «As gravuras não sabem nadar». Em 1995, o projeto da barragem foi cancelado.
O que sobreviveu é agora um parque protegido. Mas as próprias gravuras continuam, em grande parte, sem explicação. Ninguém sabe, com detalhes que possam ser verificados, por que razão estes animais foram escolhidos, por que razão estas faces rochosas em particular, ou que finalidade as imagens tinham para as pessoas que as criaram. Os investigadores também identificaram grandes pedras erguidas perto de alguns dos abrigos gravados — pedras que parecem ter sido colocadas deliberadamente, e não ter caído naturalmente. A teoria atual é que marcavam a localização. Para quem a marcaram, e durante quanto tempo, não é algo que as pedras possam revelar.
ASHWANA encara as marcas antigas da mesma forma que o vale do Côa encara as suas gravuras — como prova de que alguém, há muito tempo, considerou que um lugar era suficientemente importante para deixar algo para trás. A imagem sobrevive. A intenção por trás dela não a acompanha. Quem a observar mais tarde fica a adivinhar, e essa suposição nunca é confirmada.
Várias pedras ao longo da crista oriental de Fort Kael apresentam marcas que antecedem todos os registos escritos conservados no arquivo — gravadas na própria rocha, não pintadas, nem acrescentadas posteriormente. A atual administração catalogou-as como «marcadores de fronteira, de origem não confirmada». Nenhuma fronteira que pudessem plausivelmente indicar jamais coincidiu com as posições dessas marcas.
Um estudo, realizado há décadas, sugeriu que as marcas poderiam não indicar, de todo, um limite, mas sim um percurso — uma forma de assinalar um caminho para quem regressasse, em vez de uma linha onde alguém tivesse de parar. A sugestão não teve seguimento. As marcas continuam lá. O percurso, se é que existiu, não foi identificado.