Três anos em Fort Kael. Relatórios apresentados dentro do prazo. A sua mão esquerda afastada das pessoas. Não há perguntas a que o procedimento não consiga responder.
Chegou ao Forte Kael aos vinte e dois anos, com um nome que não significava nada para a maioria das pessoas do forte, mas significava tudo para o Comandante. Ela ainda não sabia disso.
Desde então, ela tinha optado por não olhar para coisas que fossem demasiado caras.
A ESTRADA
ABAIXO DO FORTE
Antes do nascer do sol, os caminhos das cristas mais baixas eram percorridos por pastores, equipas de levantamento topográfico, caravanas silenciosas de abastecimento e pelas pessoas responsáveis por manter o Forte Kael em funcionamento durante o inverno.
A Kira preferia aquelas horas. Menos perguntas. Menos observadores. O cão seguia-a sem precisar de ordens.
A maioria das pessoas no forte confundiu o silêncio com segurança.
«Desde então, ela tinha optado por não olhar para coisas que fossem demasiado caras.»
— ASHWANA, Primeiro Livro de «The Fractured Elden»
A mão esquerda dela. Sempre virada para o lado oposto. Sempre.
A Ashwaste está a mover-se. O Comandante convocou-a. E, pela primeira vez em três anos, ela tem a sensação de que alguém já sabe exatamente o que ela é.
A maioria dos registos pessoais de Fort Kael descrevia Kira Ashvane como uma pessoa tranquila, pontual, atenta e excepcionalmente competente em condições meteorológicas adversas.
Nenhuma das notícias mencionou a sua mão esquerda.
Essa omissão foi intencional.
FORT KAEL
APÓS O ANOITECER
À noite, os corredores inferiores do Forte Kael pertenciam às equipas de manutenção, aos guardiões das lanternas, aos inspetores de percursos e às pessoas responsáveis por impedir que a montanha engolisse a instituição por completo.
A Kira preferia aquelas horas. O silêncio facilitava a observação.
A mão esquerda dela. Dia 847. Continua virada para o outro lado.
Aparece em ASHWANA — Primeiro Livro de «The Fractured Elden»