Ao longo de dezassete anos, foram recolhidos dezassete relatos que descrevem sons provenientes de pedras erguidas nos territórios montanhosos que rodeiam o Fort Kael. Os relatos provêm de pastores, trabalhadores rodoviários, pessoal de levantamento topográfico e, em dois casos, de soldados em patrulha noturna. Os relatos foram recolhidos de forma independente e abrangem três áreas geográficas distintas.
A consistência entre os relatos é invulgar. Numa compilação de testemunhos orais deste tipo, é de esperar uma variação significativa nas descrições. Estes relatos são mais consistentes do que a divisão de arquivos normalmente esperaria de fontes independentes que prestam testemunho ao longo de um período de dezassete anos.
«Foi antes de amanhecer. A pedra mais próxima da passagem — aquela alta, com a fenda que se estendia desde o topo — emitiu um som como se alguém estivesse a expirar muito lentamente. Não era o vento. Eu conheço o vento. Já passei por aquela passagem em todas as estações do ano, ao longo de trinta anos. Não era o vento.»
— Trabalhador da rota, Passagem Ocidental, Ano 797
«O meu pai chamava-lhe a voz da manhã. Dizia que o pai dele também lhe chamava o mesmo. Dizia que era a pedra a recordar o dia anterior ao seu início. Quando era jovem, não sabia o que isso significava. Não tenho a certeza de saber agora. Mas já a ouvi e compreendo por que razão ele lhe chamava isso.»
— Shepherd, Planalto do Norte, Ano 803
«Era um som. Um único som prolongado, muito grave, que se sentia mais do que se ouvia. Durou talvez quatro segundos. Quando parou, o ar parecia diferente. Mais pesado. Fiquei imóvel durante muito tempo depois disso. Não sei porquê.»
— Responsável pelo Levantamento Topográfico, Eastern Ridge, Ano 808
A explicação física mais frequentemente proposta por revisores não especialistas — a expansão térmica da pedra ao nascer do sol — foi analisada e rejeitada. A expansão térmica produz fissuras e sons irregulares. Não produz tons sustentados. Não produz sons descritos de forma consistente como intencionais por dezassete informadores independentes entre três locais e ao longo de dezassete anos.
O departamento de arquivos não tem outra explicação.
NOTA DE ARQUIVO — DIVISÃO DE FOLCLORE
«Estes testemunhos foram arquivados na secção de folclore porque nenhuma outra secção os aceitou. A divisão de levantamentos recusou-os. A divisão de história natural recusou-os. A divisão de engenharia recusou-os. A divisão de folclore aceitou-os porque é a divisão que acolhe o que as outras divisões não aceitam. Isto é registado por uma questão de transparência institucional.»
RECOLHIDO POR: Divisão de Folclore, Fort Kael
ANO 808 · COLEÇÃO ENCERRADA
ESTADO: EM ABERTO — FLK-0041
APARECE EM: ASHWANA — PRIMEIRO LIVRO DA SÉRIE «THE FRACTURED ELDEN»
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